segunda-feira, 8 de julho de 2013

Pátria

Quando eu entrei no meio do mato,
Onde os cipós não me deixavam ir além,
Fiz com um gomo de taquaruçú
Um porta voz.
E gritei bem alto:

"Páááátria!!! Eu quero te ver!!!"

Pois me haviam contado
Que era ali que morava
Numa casa de arvores,
Gritei tão alto
Que minha voz abriu uma picada
No meio do mato.

Gritei tão alto
Que a algazarra das araras
E os guinchos dos sagüis
Não conseguiram abafar a minha voz.
Que lá foi, tropeçando nos cipós,
Chamar a Pátria que velava.
Depois o silêncio, que é um índio verde,
Veio, com os pés de musgo
E mãos de paina,
Aquietar as folhas que falavam,
Veio cercar o vento que assobiava.

Depois o mato vibrou, como vibra
Quando passam as antas pesadas
E varas de caitetús.
Houve um estalar de gravetos e de taquaras,
E até as araras se calaram pasmadas...
E aos meus olhos maravilhados,
Surgiu uma índia vestida de penas,
que tinha no corpo moreno
a altivez dos palmitos
e que trazia nos olhos oblíquos e claros,
a alegria de um dia de sol.
E ficou, espantada, a olhar pra mim...
E fiquei deslumbrado com tanta beleza,
Pois não me haviam contado
Que minha Pátria era tão bonita assim.


(Pátria - Vinícius Méier)

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